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PRÓTESES OCULARES – Uma ajuda bem-vinda (num momento difícil)

Dra. Margarida Carvalho | Optometrista

Uma situação que leve à retirada de um olho não só significa que existiu um acidente ou uma doença fatal para esse olho como toda a nossa auto-estima fica comprometida.

Estamos então perante um momento muito difícil, não só por se ter que superar a perda de visão, aprender a ver com um só olho, a reorientar-se com um campo visual monocular, perder a binoculariedade e consequente perda da noção de espaço e profundidade, mas também pela componente estética, muitas vezes até a mais dura de superar.

Sendo toda a situação estética bem encaminhada é mais fácil tudo ser ultrapassado. Isso é possível com a boa adaptação de uma prótese ocular confortável e que esteticamente signifique que nada se nota entre um olho e outro.

Há 2 tipos de cirurgia ocular para retirar um olho: a enucleação e a evisceração. Na enucleação, o globo ocular é completamente removido e são conservados os músculos responsáveis pelo movimento do olho. Na evisceração, é retirado o conteúdo ocular mas são mantidas a esclera, conjuntiva e músculos.

No final de qualquer uma das duas é colocado um conformador (PMMA ou silicone) na cavidade orbital enquanto o paciente aguarda pela cicatrização e posteriormente a colocação de uma prótese ocular. É frequente primeiro ser colocada uma prótese provisória e só depois a definitiva. Normalmente faz-se a adaptação dessa prótese ao fim da 3ª ou 4ª semana do pós-operatório. A instalação da prótese provisória é realizada após a moldagem e durará vários meses (2 a 3 meses) antes da execução da prótese final. Uma das principais funções da prótese é proteger a cavidade. Sem ela, a pálpebra superior entra em contato permanente com a pálpebra inferior, corpos estranhos e secreções acumulam-se no saco conjuntival, causando irritação e inflamação. A prótese também ajuda a reduzir a deformação da cavidade da região da orbita.

No que se refere ao material das próteses dividem-se em 2 grandes grupos. As próteses de porcelana/vidro, são feitas de vidro soprado com maçarico e as próteses acrílicas, feitas de resina sintética hipoalergénica muito mais leve e perfeitamente adaptada à cavidade graças à moldagem de uma impressão. A sua tolerância é excelente, o seu polimento proporciona um brilho comparável ao do olho e a resistência à alcalinidade da lágrima permite uma vida útil de cerca de 5 a 6 anos para um adulto. Por este motivo é hoje em dia mais frequente a adaptação de próteses acrílicas do que de vidro, cujo o uso tem sido abandonado. É referente a este tipo de material, acrílico, a abordagem feita neste artigo.

Para o sucesso da adaptação da prótese ser alcançado é fundamental, além duma boa impressão do molde da cavidade da órbita, cumprir certos critérios: respeitar a harmonia palpebral, evitar o aspeto de oclusão, fazer cumprir o eixo e cor da íris, a aparência do limbo, a cor da esclera, a vascularização, os diâmetros da íris e da pupila, a mobilidade e a tolerância. Quanto mais a órbita estiver preenchida e mais fina e leve for a prótese, melhor é a adaptação.

Pela complexidade de todo o processo é normal serem necessárias várias consultas até à adaptação da prótese definitiva.

No ato da entrega da prótese, é efetuada uma consulta onde se indica o procedimento de colocação, de remoção e os cuidados de manutenção a ter com a mesma a nível de higiene e preservação. Recomenda-se não remover a prótese com demasiada frequência. O manuseio excessivo pode ser fonte de infeções secundárias e promover a retração da cavidade.

Deve ser agendada uma visita ao seu protésico semestralmente para proceder a uma limpeza mais profunda da prótese assim como à avaliação da cavidade. No caso de alguma situação anómala, quanto antes for detetada mais fácil será a sua resolução. Anualmente deve mesmo ser realizado o polimento da prótese para evitar alterações na superfície como depósitos de muco, possíveis arranhões da prótese, situações que conduzem à intolerância da mesma e que o polimento remediará.

Uma prótese ocular deve ser renovada a cada 5/6 anos. Porém, quando aparece uma modificação da cavidade que cause descentralização, redução da abertura pálpebral ou intolerância à prótese, deve ser prontamente substituída.

A perda de um olho é um acontecimento traumático, mas a evolução dos materiais e a consequente aproximação das próteses oculares a uma réplica estética quase perfeita do olho contribui para que estas situações sejam mais facilmente ultrapassáveis.

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